segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O problema com softwares corporativos

A tecnologia vem a duas décadas promovendo mudanças e inovações na vida humana e gerando a expectativa de atingir mercados maiores e níveis de lucratividade extraordinários. Nos dias de hoje encontramos sistemas responsáveis por prover cadeias de fornecimento completamente coordenadas e sincronizadas, linhas de produção e serviços, como se fosse uma grande orquestra. Tudo isso acontece de maneira invisível como se fosse mágica.
No entanto, não parece ser essa a condição vivenciada pela maioria das empresas. Empresas essas que possuem sistemas antigos e processados arcaicos mal documentados. Sistemas que utilizam até 50 bancos de dados e centenas de softwares para executar seus processos gerando alto custo de manutenção e adaptação. Os custos ou investimentos em TI subiram de 2.6% em 1970 para 22% em 1999. Atualmente, pode-se dizer que talvez 70% a 80% do orçamento geral é investimento em TI para manter rodando os sistemas existentes.

A complexidade dos softwares em uso vem aumentando com o tempo e o conjunto de instruções que o compõem são cada vez mais numerosas. É certo que não há limites para a flexibilidade do software e nem para o volume de instruções executadas. Sabe-se também que a ação executada por um software é fruto das pequenas partes que compõem o processo envolvido. Essa divisão é algo comparável à divisão de trabalho proposta por Adam Smith e ao gerenciamento científico de Frederick Taylor. Essa complexidade do software e o grande volume de instruções fazem com que o conhecimento do software seja disperso entre os membros da equipe e que o efeito de uma manutenção ou correção seja quase imprevisível em certos casos. Estima-se que 25% de acréscimo na complexidade das tarefas equivalem a 100% de acréscimo na complexidade da solução do software.

Essa mesma análise de complexidade está presente nos sistemas corporativos de planejamento de recursos criados em 1990. No entanto, o apelo de se substituir os diversos softwares existentes (legados) por um único e monolítico sistema, levou as empresas a comprar essa solução ignorando as dificuldades de implantação. Esse erro levou as empresas a não ter os softwares antigos substituídos e ainda passaram a ter que custear o ERP e resolver a sua integração com os demais sistemas.
Além da dificuldade técnica de instalação, observou-se um enorme custo de licenciamento e consultoria de implantação. Enquanto uma instalação média custa cerca de US$ 15 milhões, as grandes empresas acabaram o processo gastando centenas de milhões de dólares. De fato, 75% das instalações de ERP foram consideradas mal-sucedidas.

Como próxima fronteira tecnológica, surgiu a arquitetura orientada a serviço. Essa tecnologia prevê a criação de pequenos pacotes de serviços dedicados e centralizados na rede mundial, que utilizados de maneira apropriada pelos sistemas corporativos locais, poderão reduzir a complexidade dos softwares tornando as adaptações dos processos mais simplificadas e menos custosas. Por outro lado, existe um grande ceticismo por parte de vários pesquisadores que afirmam haver grande dificuldade de integração e questões não resolvidas como protocolos adequados e tempo de resposta satisfatório.

Comentários Gerais
O artigo apresenta uma visão realista das dificuldades de se implementar, instalar e manter sistemas ERP. Também apresenta a técnica que busca solucionar os problemas relacionados a esse tipo de sistemas, chamada de arquitetura orientada a serviços.
As evidências e estudos apresentados são contundentes e fala por si só, dando aos sistemas ERP a imagem de custosos e ineficazes.

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